terça-feira, abril 09, 2013

Santorini

Santorini ou Santorino  é um arquipélago vulcânico circular localizado no extremo sul do grupo de ilhas gregas das Cíclades, no mar Egeu, a cerca de 200 km a sueste da cidade de Atenas.




O segredo, o charme e o mistério de Santorini consistem na forma genial e algo revolucionária, devo dizer, como a sua arquitetura se dissolve naturalmente em cidade.

Tem uma encosta, e até pelas limitações de meios e materiais, o escalonamento das construções é uma solução inevitável. Como não chove, os tetos podem ser planos, e no aproveitamento dessa superfície a mágica toma forma: o que é teto de um pode ser a varanda do outro, ou mesmo uma rua. 



















SANTORINI

Esquisita e bela

  Não importa onde você amanheça. Que passe o dia entre ruínas arqueológicas ou se esturricando numa espreguiçadeira às margens do Mar Egeu. Que suba os 587 degraus do Porto de Skala Firon até o centro de Fira a pé ou no lombo de um burrinho. O que interessa é que no fim do dia você esteja na vila de Óia (se diz "Ia").. Em Santorini, o .pôr-do-sol. é o melhor programa. Se puder ser acompanhado por uma tacinha de vinsanto, o vinho fortificado local, melhor ainda.

Tudo o que você sempre imaginou sobre as ilhas gregas está aqui: as casas brancas em formato de cubo dependuradas no penhasco, as igrejinhas de cúpulas azuis, os sinos, os gatos. Mas Santorini não é uma ilha comum. Não se você achar que ilha é sinônimo de praias de sonho, daquelas de areia fininha e branca.

O motivo é simples: sua origem vulcânica a privou de ter areia e suas praias são escuras. Uma delas, a mais diferentona e badalada, é vermelha. Se Marte tivesse praia, provavelmente seria como Red Beach, na extremidade sul, uma pequena baía de águas verdes emoldurada por uma falésia... vermelha, claro. É ali que, no auge do verão, uma multidão se aglomera para esticar o corpo à beira-mar. Mas, se me permite, a praia de Santorini é outra. E ela fica centenas de metros acima do nível do mar. Se você é desprendido o suficiente para separar Grécia da equação sol + praia, concentre-se nas encantadoras vilas encarapitadas no alto das montanhas. É ali, nas vielas e nos becos tortuosos, nos cafés e nos lounges avarandados debruçados sobre o mar, que está todo o charme da ilha. Praia pra quê?






sexta-feira, abril 05, 2013

Material de demolição

Reciclado e aprovado

Madeiras, tijolos, azulejos e outras peças provenientes de demolição garantem um toque especial a projetos de todo tipo.



Os materiais de demolição estão em alta. O conceito sustentável desse tipo de produto, o charme rústico e a história que carrega cada peça fascinam cada vez mais arquitetos e proprietários. Seja na estrutura ou na decoração, reutilizar madeira, azulejos e grades de ferro, entre outros elementos, traz ganhos econômicos, ambientais e estéticos.

Confira abaixo onde cada tipo de material pode ser utilizado e quais os cuidados necessários para se trabalhar com eles:


Fotos: Pedro Abude
A APLICAÇÃO DE DORMENTES (Empório dos Dormentes) com cimento e ladrilho hidráulico neste piso é um exemplo inspirador de utilização de material de demolição.


Madeira - A reutilização da madeira, além das suas múltiplas aplicações, é essencial para a questão ambiental. Toras de demolição de diversos tipos podem se transformar em bancadas de lavabos ou de cozinhas, soleiras, deques, pisos, painéis e juntas de dilatação de piso de cimento queimado. As possibilidades são ilimitadas. Tudo depende da criatividade. Alguns cuidados, no entanto, devem ser tomados para que a solução seja duradoura e não traga danos ao resultado final. "O que deve ser levado em consideração é o tipo de madeira e o local onde será empregada, pois algumas não podem ficar expostas ao sol e à chuva, por exemplo", explica o arquiteto Marcos André Martins. É sempre bom consultar um profissional para indicar se a peça deve receber algum tratamento especial.



Tijolos - Quando empregados em áreas internas ou externas, tanto no piso como nas paredes, garantem um clima rústico e acolhedor aos ambientes. Em construções mais antigas, alguns arquitetos optam por remover os revestimentos mais atuais até encontrar os tijolos originais na parede. "Por serem muito porosos, exigem algum tipo de acabamento, como, por exemplo, verniz poliuretânico", afirma a arquiteta Miriam Vaccari.


Ladrilho hidráulico - Com estampas versáteis, os ladrilhos, que antes eram utilizados em fazendas antigas, garantem ares nostálgicos e combinam até com os projetos mais contemporâneos. Eles podem revestir paredes inteiras ou apenas pequenas faixas. Ficam bem também como um "tapete" ou então servindo de moldura para o piso de cimento queimado. Na hora de aplicar, vale consultar um especialista e tratar as peças, que, por serem muito porosas, necessitam de uma impermeabilização.


Grades e portões - Peças de ferro, quando bem conservadas e protegidas da umidade, podem ser um achado. Grades e portões antigos, além de exercer novamente suas funções principais, podem ser usados como decoração ou em projetos paisagísticos, como suporte de uma horta vertical, por exemplo.


Azulejos - Algumas peças, principalmente as garimpadas em cemitérios de azulejos, são verdadeiras obras de arte. Tiragens limitadas e estampas artesanais encarecem as peças. O resultado, porém, é incomparável. O segredo é a paciência para vasculhar entre milhares de opções. As aplicações mais comuns são em paredes ou frontões de bancadas de cozinha.


Vitrais - Os famosos vidros estampados, muito utilizados em igrejas, podem ser incorporados a espaços residenciais. Combinam especialmente com ambientes bem iluminados, que destaquem as cores e texturas. "Ficam muito charmosos em portas e janelas de madeira e em peças de ferro, sobretudo quando pintados de preto ou com aspecto enferrujado, pois as deixam mais elegantes e requintadas", diz Marcos André.



Foto: Fernando Stankuns
O CONCEITO DE SUSTENTABILIDADE norteou o projeto assinado por Miriam Vaccari para esta casa de vila. Os proprietários pediram ares modernos e rústicos. Assim, a arquiteta usou tijolinhos no piso do quintal, cruzetas de madeira na bancada e na soleira do lavabo, bem como no hall e na porta principal, peroba rosa no piso dos dormitórios e dormentes no guarda-corpo da varanda. Os materiais foram encontrados em depósitos na região do Butantã, em São Paulo.

Foto: Rogerio Medeiros / Foto:Martin Szmick
A CASA DA FAZENDA foi inspirada em um celeiro e, para dar tal aspecto aos ambientes, Teca Vidigal precisava de materiais que transmitissem ares rústicos. Dessa forma, ela trabalhou com tijolos de demolição em tamanhos grandes, encontrados na cidade de Nazaré Paulista, em São Paulo, e ladrilhos hidráulicos da Ibiza, aplicados como tozetos no piso de cimento queimado. A porta, a arquiteta mandou fazer a partir de madeira peroba-rosa garimpada no Velhão.
O CHARME RETRÔ DA ADEGA do apartamento projetado por Cilene Monteiro Lupi foi conferido por meio de velhos caixotes de vinho e de madeira de demolição. Todo o material foi lixado e ganhou uma camada de verniz, para manter a durabilidade. "Entre os ganhos estão a menor utilização de madeira não certificada e a reutilização de materiais que seriam descartados na natureza", afirma.

Foto: Divulgação | Foto: Carlos Piratininga
REVESTIR UMA DAS PAREDES DO LIVING com madeira de demolição canela, fornecida pela Marcenaria SA foi a opção da arquiteta Karina Afonso para criar um contraste interessante e evidente com a decoração requintada e clássica deste apartamento. Além dos essenciais ganhos estéticos, o material reforçou a sensação de conforto do ambiente.
PARA DAR UM TOQUE DESCONTRAÍDO à sala de estar da Mostra Artefacto Haddock Lobo 2011, a arquiteta Maithiá Guedes usou um painel de madeira de demolição com frases relacionadas ao tema "família" gravadas diretamente no material. As peças, garimpadas na Mentha, receberam uma camada de verniz selador para proteger e escurecer o tom.



Foto: Divulgação
AO TRANSFORMAR A CASA em um escritório de consultoria , o arquiteto Marcos André Martins manteve o estilo original e o jeito acolhedor do imóvel. Assim, a lareira em alvenaria permaneceu no projeto e foi repaginada. O arquiteto revestiu a estrutura com madeira de demolição cruzeta, retirada de antigos postes de iluminação, para criar um clima mais aconchegante, ecológico e sustentável.



O limite do terreno dessa casa , localizada em um condomínio fechado em Curitiba, não era demarcado, ou seja, o acesso era livre. No entanto, por conta de um cãozinho de estimação, se fez necessário fechar parte do espaço. Em vez de um portão de madeira ou com linhas retas, Ana Padilha optou por um portão antigo que, segundo o dono do Barranco Ferro e Aço, veio de um velho açougue. A arquiteta apenas pintou a peça com tinta automotiva e trocou a fechadura.











Foto: João Ribeiro

Foto: Divulgação


No Lounge do Músico, na Casa Cor 2011, Fernanda Fernandes prestou uma homenagem a Fafá de Belém. A inspiração veio de longe, de Belém do Pará. Assim, a arquiteta foi buscar madeira nos trapiches, ou deques, da cidade natal da cantora. "As toras, que estavam expostas a intempéries e aos altos níveis pluviais da Amazônia há mais de 50 anos, foram retiradas uma a uma com muito cuidado e devidamente higienizadas antes de sua instalação", conta.
"O uso da madeira de demolição une o conforto à rusticidade", define Maria Antônia Penteado. A arquiteta aproveitou o recurso para criar dois ambientes para o showroom da Casa Cenário. Nos espaços, uma sala de estar e outra de jantar, o material foi utilizado em mobiliários, painéis ripados e revestimentos de colunas. "Mesclado às fibras naturais dos estofados e tapetes, aquece e dá sensação de aconchego aos ambientes", diz.


Vamos garimpar?


Para encontrar esse tipo de material, é necessário atenção, paciência e disposição. Ferros-velhos escondem verdadeiras preciosidades, assim como grandes bazares e até as caçambas de entulho nas ruas. Existem, é claro, lojas especializadas em material de demolição e antiquários com extensas coleções que podem ser aproveitadas. Confira abaixo alguns endereços e garimpe o que melhor combinar com seu projeto:

Foto: Pedro Abude



Foto: divulgação | Fotos: Pedro Abude


- Antigão Demolições: www.antigaodemolicoes.com.br
- Barranco Ferro e Aço: www.barranco.com.br
- Bazar Samburá Laz Escola São Francisco: http://larescola.com.br
- Cemitério dos Azulejos: www.cemiteriodosazulejos.com.br
- Clever Casado Antiguidades: www.clevercasado.com.br
- Empório dos Dormentes: www.emporiodosdormentes.com.br
- Esquina do Tempo: www.esquinadotempo.com.br
- Ibiza Acabamentos: www.ibizaacabamentos.com.br
- Marcenaria SA: http://marcenariasa.com.br
- Mentha: www.mentha.net.br
- Mercatudo Casas André Luiz: http://www.mercatudo.org.br
- O Velhão: www.velhao.com.br
- Paiol Demolições: www.paioldemolicoes.com.br
- Pisos e azulejos antigos: http://pisoseazulejosantigos.com.br



fonte: http://revistacasaeconstrucao.uol.com.br/ESCC/Edicoes/72/artigo225086-4.asp

quarta-feira, abril 03, 2013

CONCRETO DÁ O TOM À CASA





Vista da rua, a casa tem a aparência típica das construções modernistas: uma caixa de concreto. Ao atravessar o portão, a escada com degraus que parecem flutuar uns sobre os outros tem um quê da Farnsworth House, concebida por Mies van der Rohe em 1951, nos Estados Unidos. A referência traduz o apreço da moradora – a arquiteta Lili Barboza, que assina o projeto – pela obra desse mestre, entre outras referências.

O estilo de viver dela, do marido e das três filhas pequenas do casal mescla a estética do design e das obras de arte com sutilezas arquitetônicas identificadas somente por olhares bem atentos.

Autora do showroom da Minotti na capital paulista, considerado o melhor do mundo pelos proprietários da marca, além da B&B Italia Store São Paulo, Lili confessa que foi difícil projetar a própria residência. “Porque você adquire um rigor muito grande para atender aos clientes e se sente na responsabilidade de fazer o mesmo com a sua casa”, afirma ela, que contou com a ajuda do arquiteto Ricardo Bello Dias no décor.



Confessa admiradora dos projetos modernistas brasileiros, em especial do trabalho de Lina Bo Bardi, Lili pensou em uma casa de espaços amplos, arejados e bem-iluminados, implantada no terreno em que havia uma construção da década de 1940.

A proposta é surpreender. Quem entra no estar não percebe a sala de jantar integrada a esse ambiente. Ela fica no canto, após a extensa parede da lareira – estrutura inspirada no Pavilhão de Barcelona, de Mies van der Rohe.

Nesse amplo “L”, o olhar passeia por ambientes minimalistas. Na sala de estar, distribuem-se mesas laterais e luminárias de bronze antigas, side tables de coleção, móveis assinados por Isamu Noguchi, Jeffrey Bernett e Philippe Starck, entre outros, e o piano Steinway & Sons – herança de família de Lili, que toca o instrumento.

Como suporte para móveis e obras de arte, elegeu-se um único material: o limestone, visto no piso do térreo e em todas as paredes da casa. Suspensas a 1,5 cm do piso, elas criam harmonia visual com a área externa, que se integra ao interior quando as portas de correr de vidro, de mais de 3 m de largura, estão abertas. “Para dar uniformidade, os trilhos são embutidos no piso e no teto”, explica Lili, enfatizando que o recurso permite aproveitar o visual do jardim tropical sem interferência nenhuma.



A área verde, projetada pela paisagista Juliana Judoval, tem franca inspiração em Burle Marx, com espelho-d’água próximo ao muro que é também piscina.

O reaproveitamento dos materiais da antiga casa deu ao segundo andar, o das quatro suítes, a matéria-prima para o impactante piso de peroba-rosa em tons descoordenados. “Essa madeira estava acima do estuque do teto”, conta Lili. Uma ampla sala que leva aos quartos reúne a coleção de fotografias, com exemplares de Mario Cravo Neto, Pierre Verger e Ron Galella, entre outros.

Na parede que sustenta uma obra de Vik Muniz, a iluminação zenital garante a entrada da luz natural no ambiente sem janelas. Inspirado nos projetos do arquiteto japonês Tadao Ando, o recurso foi amplamente explorado na ala íntima. Só existem janelas nos dois quartos voltados para o jardim. Na suíte do casal, uma porta de correr de vidro leva a um terraço fechado, com um rasgo no teto que permite ver o céu até quando se toma banho. Assim, só se admiram a natureza e o belo. Esse detalhe revela o cuidado de se desenhar uma casa para o bem-viver. (ROBERTA DE LUCCA)


* Matéria publicada em Casa Vogue #315



terça-feira, abril 02, 2013

Coleção Yawanawá, de M. Rosenbaum


As luminárias do projeto ‘A Gente Transforma’


Pendente Runuãrunuahu: 11 “jiboias pequenas” de miçangas se enrolam numa trave de madeira pupunha esculpida à mão

“Design útil é aquele que transcende o objeto”. A fala é do designer Marcelo Rosenbaum, que nos últimos anos tem pautado seu trabalho nesta filosofia. “Útil”, no caso, significa que, mais do que a função prática, as peças sob esse conceito devem atender a um propósito maior. É exatamente o caso das luminárias criadas na terceira edição do projeto A Gente Transforma, realizada numa aldeia indígena da etnia Yawanawá, no Acre.

Em janeiro deste ano, uma equipe multidisciplinar de 30 pessoas passou quase um mês imersa nas aldeias Nova Esperança e Amparo, na floresta amazônica. A ideia é, por meio da troca de saberes, promover o desenvolvimento local e permitir a permanência da cultura Yawanawá. O design, aqui, é usado como uma ferramenta de transformação: ele é um meio, e não o fim. O que não significa que as peças não tenham valor estético – muito pelo contrário.


Detalhe do trabalho de miçangas nas “jiboias pequenas” do pendente Runuãrunuahu


Com 2,20 m de comprimento, o pendente Runuãkenê representa a jiboia, um dos animais mais sagrados para os yawanawá – a malha gráfica de miçangas rebate a luz emanada pela mangueira de LEDs, embutida na canopla metálica superior 


Detalhe da malha gráfica de miçangas do pendente Runuãkenê

Inspiradas nos mitos e nas cosmologias desta tribo, as luminárias se utilizam de técnicas artesanais dominadas pelos Yawanawá e fazem uso dos kenês, grafismos geométricos que representam animais e elementos da natureza, significando “as transformações, as conexões com o divino”, segundo Rosenbaum. “Nós não levamos nada, mas estimulamos o que eles já têm. O que fazemos é validar e valorizar o que está lá”.

Mais do que o aspecto estético das peças, a cultura indígena também inspirou a dinâmica da criação, como explica Rosenbaum: “A ancestralidade entende que uma ideia não é de um indivíduo, mas de um coletivo. A pessoa está apta a receber aquela informação, mas para o bem comum”. Portanto, todos os produtos da coleção são fruto da co-criação entre três estúdios de design, sempre interagindo com a comunidade e seus saberes. “E cada produto carrega esse saber”, festeja Rosenbaum. Além dele, participam os estúdios Fetiche, de Carolina Armellini e Paulo Biacchi, e Nada Se Leva, de André Bastos e Guilherme Leite Ribeiro.

As luminárias criadas durante o processo serão lançadas pela La Lampe no segundo semestre, mas já poderão ser conferidas por quem visitar Milão durante o Salão do Móvel, entre os dias 9 e 14 deste mês, pois serão mostradas na exposição Yawanawá – A força da floresta, dentro da mostra Brazil S/A.

Embora o resultado desta criação conjunta seja muito bom, Rosenbaum faz questão de frisar que “o potencial é muito maior” e que há uma série de ações em andamento e outras previstas – boa parte delas envolve a divulgação da cultura Yawanawá, como um filme, um ensaio fotográfico e até um cardápio gastronômico. “O A Gente Transforma parte da premissa de que a comunicação é tão importante quanto o fazer, pois possibilita um despertar”, defende. E conclui, com humildade e poesia: “A função das luminárias é essa, de uma arara. [Na mitologia Yawanawá, as araras levavam, no seu canto, mensagens de esperança]. É por aí que o público vai se comunicar com essa história tão rica”.
A luminária de piso Puriti é formada por três flechas de caça, articuladas por uma fatia de cocão (um fruto da região). Na produção industrial, alguns materiais serão adaptados, mas as lanças das pontas e a peça de miçangas (que contém o interruptor) serão executadas pelos yawanawá 


Pendente Shinuã solitário 


De miçanga tramada, os pendentes Shinuã representam a floresta e estarão disponíveis em tonalidades de verde, marrom e azul (a mata, a terra e o céu), em versão solitária ou com várias peças combinadas

Confira, a seguir, os principais pontos abordados por Marcelo Rosenbaum na entrevista:
Índio yawanawá com protótipo da luminária Puriti

Design útil e valorização cultural

Nós começamos a falar de design útil há uns cinco anos, em projetos junto com a indústria. A gente simplificava a história toda, falava que o design pode ser útil. A ideia era usá-lo como ferramenta de comunicação. O armário Caruaru, por exemplo, tem a ilustração do J. Borges, que as pessoas fora da região não sabiam quem era – e quem sabia achava que ele estava morto! É valorização cultural mesmo. Antes, o design útil era um braço do escritório. Hoje a gente enxerga o design útil como um movimento e uma forma de imaginar o design como um catalisador de mudanças para o redesenho de um novo mundo. Então quando a gente começa a pensar nisso, percebe que o design não está mais só no objeto, no fazer as coisas materiais, uma mesa, uma cadeira – ele transcendeu isso. Essa vontade de transcender o objeto começou a se materializar com o AGT.
Da esq. para a dir., os designers André Bastos, Carolina Armellini, Paulo Biacchi e Marcelo Rosenbaum com o cacique Biraci Brasil durante o processo

A história por trás do projeto

Essa é a terceira edição AGT, e aconteceu numa comunidade indígena Yawanawá. Fui lá pela primeira vez em outubro, num festival que acontece todos os anos e é aberto ao público – várias etnias de muitos lugares do Brasil visitam esse festival. Nesse tempo, fiz um processo intenso com todos os caciques que estavam lá, e os pajés, durante uma semana. Fiquei completamente enlouquecido com o potencial, recebi uma demanda do cacique Biraci Brasil, uma pessoa que tem uma história fantástica... E voltei pronto para fazer esse projeto em janeiro. Fomos numa equipe de 30 pessoas, com chef de cozinha, arquiteto, cinegrafista, designer, publicitário, fotógrafo, além dos estúdios Fetiche Design e Nada Se Leva, com quem a gente trabalhou em co-criação. Porque toda a história do design útil é a cocriação também. É como os índios pensam também. A ancestralidade inspira muito o AGT: ela entende que uma ideia não é de um indivíduo, ela é de um coletivo. A pessoa está apta a receber aquela informação, mas nunca é para ela só, sempre é para o bem comum.
Índios yawanawá com protótipo da luminária Runuãkenê

Os Yawanawás

Até a década de 1980, essa etnia estava praticamente em extinção. Eles estão em contato com o homem branco há 150 anos, desde a época dos seringalistas, e foram explorados, massacrados. Muitos desses índios já moravam em favelas, na cidade grande. E os que ficaram, não sabiam fazer cocar, não faziam essas pulseiras, não pintavam mais os corpos, não cantavam mais as músicas, não falavam mais sua língua... Aí, na década de 1980, o cacique Biraci voltou e resgatou muita coisa: mandou os missionários embora, ganhou 10 mulheres da aldeia, teve 35 filhos... É uma outra relação de mulher, de amor, de comunidade, de coletivo. Eles vivem numa estrutura complexa... E nesse contato com ele, recebemos uma demanda e começamos a construir o projeto. E o AGT parte da premissa de que a comunicação é tão importante quanto o fazer – o despertar através da comunicação. O que a gente foi fazer lá é um projeto de várias ações, mas que começa no objeto, com o design e o artesanato.
Índios yawanawás com protótipo da luminária Shuhu

Diversidade

A gente fez uma coleção de luminárias baseada nos mitos, nas mitologias deles. É bacana saber que as diferenças das etnias dos índios brasileiros pode ser tão ou mais distinta do que a cultura do russo pro japonês, ou do chinês para o alemão. Entre os tapuias do sertão e os pataxós do litoral, por exemplo, os costumes e as cosmologias são completamente diferentes. É preciso entender esse contexto. Esse sistêmico faz parte. (...) Acho que um ponto que toca, que é muito sério, é uma auto-estima de pertencimento, porque o que a gente leva pra eles é um olhar do que eles já tem, de muitas vezes negação, ou de não-valorização. E aí quando eles fazem e esse produto é aceito, esse produto tem exatamente a ver com eles. O nosso movimento é exatamente esse: pensar em quem vai produzir e quem vai consumir e de que forma – esse é o movimento do design útil.
Índios yawanawá com protótipo das luminárias Nãwaruku e Huñati 


Índios yawanawá com protótipo das luminárias Nãwaruku e Huñati

Eles hoje não moram em ocas, e sim em casas de madeira muito mal construídas, sem luz natural, sem ventilação, muito quentes... Um retrocesso, pois a oca é absolutamente confortável, vinha tudo da natureza. Então nós saímos com jovens líderes da comunidade e fomos fazer uma experimentação na floresta. Pegando cipó, palha, estimulando eles a uma memória que ninguém dessa aldeia lembra ou morou numa oca, mas está no sangue deles, isso é uma questão de memória. Nessa foto, eles estão num momento religioso deles, num ato... embaixo de uma das peças está um pajé que é o único que nunca tinha saído da aldeia e todos esses rapazes estão em reverência, porque o pajé está falando o que significa para eles se conectarem de volta com essas técnicas e com essas ocas. E então a gente começou a clicar as fotos – esse não era o momento de fazer a foto. O design útil tem exatamente essa função – é uma peça, que pode ser um produto, mas a função dele não é estética, é um despertar. E o que esse homem estava falando aí nesse momento já vale pelo projeto todo. Não é só questão de levar geração de renda – claro, a continuidade do projeto vai chegar nesse ponto, de um resgate das moradias, por exemplo, vamos chegar lá. Mas o resultado disso é muito mais fundo do que o levar dinheiro para a comunidade.


Artesãs trabalham na confecção das “jiboias pequenas” do pendente Runuãrunuahu

Experimentar e investigar

Com uma relação absolutamente honesta e de amor e com demandas, a gente começou a fazer esse trabalho lá. O primeiro pensamento foi o de criar as luminárias com as miçangas, um trabalho que eles já fazem. Esses desenhos das mirações, das inspirações que eles têm através dos atos religiosos deles, representam animais que significam as transformações, as conexões com o divino. Fiquei encantado com isso e achei que tinha um potencial gigante de trabalhar com as miçangas. Mas a gente foi além. Esse é um trabalho de investigação. Esses produtos todos vão ser comercializados nas lojas da La Lampe – é uma forma que a gente achou de colocá-los no mercado imediatamente. Mas o exercício lá era experimental. A gente exercitou tipologias com os materiais que eles têm – as miçangas, a palha, a madeira de pupunha... A gente tem o compromisso de colocar no mercado, mas lá a gente estava testando, porque aquele era o momento.

Fonte: Casa Vogue

segunda-feira, abril 01, 2013

Quarto Infantil



A viga estrutural que perpassa uma das paredes se torna praticamente imperceptível com o rodateto desenvolvido com o revestimento floral


texto Thiery Okuyama fotos Renata dAlmeida


Ressaltar para disfarçar. Esse parece ter sido o princípio do projeto. A viga estrutural, embutida na parede e aparente, foi suavizada pelo rodateto estrategicamente elaborado com papel de parede floral e finalizado com moldura em gesso. A intervenção pode ser vista em todas as paredes, enquanto a viga marca presença em apenas uma, a que comporta a cômoda-trocador.




O floral do papel traz o duo de cores presente no enxoval por meio de duas padronagens


O ROSÊ COMBINADO AO VERDE-MUSGO
traz refrescância e romantismo à decoração. "Vale lembrar que o quarto é extremamente pequeno e, por conta da disposição funcional do mobiliário, couberam todos os itens necessários para um quarto aconchegante", fala Regina, da Mama Art. 


Esculpido em madeira maciça, o berço ripado está elegantemente vestido com kit confeccionado com renda e fazendas lisa, listrada e estampada com floral graúdo monocromático. Compacta, a cômoda de 1 metro de largura desempenha com precisão a função de trocador. Embaixo do tampo, apresenta dois nichos recheados com cestos encapados com tecidos do enxoval. Românticos, os puxadores têm formato de rosas. Para maximizar o espaço, a cômoda possui prateleira retrátil, ideal para comportar, nos momentos da troca, o kit de higiene em prata com detalhes em formato de pássaros. Sobre o móvel, prateleira com mãos-francesas em madeira entalhada, dando origem a detalhes florais. o armário em madeira laqueada apresenta portas com vidro e o charmoso brisebrise elaborado com o fluido voal. requintada, a poltrona de amamentação com encosto em capitonê está vestida com veludo molhado rosê. um perfeito abraço! o lustre em ferro conta com três braços, cúpulas revestidas em linho e pingentes em cristal. Bela cortina em linho com bandô aplicado confeccionado com rendas francesas e clássicas.


Cestos cobertos com tecidos recheiam os nichos da cômoda com 1 m de largura


Brise-brise, puxadores em forma de flor e pendants em cristal no lustre. Romantismo!

fonte: http://decorababy.uol.com.br/ESDB/ambientes-enxoval/61/artigo279990-2.asp