segunda-feira, maio 26, 2014

TV Espelho


Imagine uma TV que ao ser desligada se transforma em um luxuoso espelho. Ou um espelho que, ao ser acionado via controle remoto, se transforme em uma luxuos.

A mais nova (nem tão nova assim) tendência na casa dos descolados em tecnologia são as TV camufladas – isso mesmo – estas já não mais tem destaque na decoração e sim são escondidas atrás de superfícies espelhadas!

A TV Espelho tem se tornado um item indispensável para aqueles que prezam pelo design, sofisticação e qualidade na decoração de sua residência ou empresa.

A TV espelho pode ser instalada em salas, quartos, cozinhas, banheiros e saunas (necessária prévia análise do ambiente para viabilizar o projeto).

Sua luminosidade é especiamente projetada para este tipo de aplicação e sua imagem é totalmente nítida, com cores vivas e, ao estar desligada, o espelho cobre totalmente a área de imagem, não sendo possível notar a TV











domingo, maio 25, 2014

{ Momento Fofura }


O pink na parede do box só complementa o ladrilho no chão azul e verde, com desenhos geométricos. Para fechar, a cortina floral reúne todas as cores de uma só vez. Isso tudo em um banheiro de estilo minimalista.

segunda-feira, maio 19, 2014

Casa interativa

Automação residencial já não é mais uma opção exclusiva para atender aos caprichos do mercado de luxo. Embora seu papel principal seja otimizar o conforto, a tecnologia oferece segurança e promove economia.

 
Foto: Divulgação
O LOFT TECNOLÓGICO, ambiente assinado pela arquiteta Ana Bartira Brancante para a Casa Cor 2011, possui os sistemas de segurança, vídeo, som, ar-condicionado (A. Dias) e persianas (Luxaflex, Arthur Decor) integrados. Destaque para o Snap Grid (iHouse), aparelho que monitora, 24 horas por dia, o gasto de energia elétrica, e também para a tevê, que desliza sob um painel e pode ser vista de qualquer canto do loft. Os tons de cinza e preto utilizados nos móveis e objetos de decoração (Breton, Mais Design e Cecilia Dale), em composição com o verde usado nas almofadas (Arte Markante) e divisórias verticais de vidro (Gatti Vega), colaboram para a sofisticação do projeto.



Nos já longínquos anos 1960, a série de tevê Os Jetsons retratava o que, àquela época, era considerado o ápice da tecnologia desenvolvida por seres humanos. Cerca de 50 anos mais tarde, ainda não temos carros voadores nem pílulas que viram alimentos - muito menos empregadas domésticas robotizadas e multifuncionais como a Rosie -, mas usufruímos diversas mordomias tecnológicas que facilitam as atividades diárias. Essas soluções comprovam, entretanto, que o desenvolvimento da inteligência artificial carrega consigo um conceito maior que prover o bemestar - busca disponibilizar produtos e serviços compatíveis com o estilo de vida coerente dos novos tempos, no qual a necessidade é o limite.

Várias dessas soluções chegaram aos nossos lares. A automação residencial é, hoje, um grande diferencial positivo dos imóveis, assim como um carro repleto de opcionais. Segundo José Roberto Muratori, membro-fundador da Associação Brasileira de Automação Residencial (Aureside), diferentes fatores colaboraram para que o valor da automação em residências baixasse. "O preço caiu 50% nos últimos cinco anos graças à familiaridade do consumidor com a tecnologia. A geração que adquire o primeiro imóvel está acostumada e valoriza as facilidades do mundo digital. Essa demanda faz as construtoras investirem mais em automação e, como consequência, os empreendimentos com sistemas tecnológicos se valorizam. Essa briga das empresas para ter uma imagem reconhecida pela inovação e modernidade no mercado acirra as concorrências."

A automação atende prioritariamente às necessidades de conforto e segurança

A queda nos preços dos sistemas automatizados abriu as portas para a nova classe média brasileira, que agora também tira proveito desse tipo de tecnologia, afirma Francisco Rodriguez Sanches, engenheiro e diretor da Domótica. "Valores reais de economia, conforto e segurança em ambientes domésticos são conquistados com produtos modulares, cujos resultados justificam os investimentos. Um pacote básico de automação custa, em média, R$ 3.950."

Conforto, economia e segurança

Conforto é o que todos buscam, e a automação atende prioritariamente a essa necessidade: ar-condicionado, televisão, sistema de som, iluminação, cortinas e persianas, irrigação de jardim e uma infinidade de outros itens podem ser controlados por meio de tablets ou smartphones conectados à internet. Outra opção é comandar esses equipamentos a partir de um controle remoto ou de um painel touchscreen, normalmente instalado na parede de um ambiente de fácil acesso dentro da casa.



Foto: Divulgação
POR TRÁS DE TODA A ELEGÂNCIA desse apartamento projetado pela arquiteta Renata Lisboa, nas duas fotos à direita, há um completo sistema de automação: acesso por leitura biométrica, iluminação, climatização, cortinas, piso aquecido, toalheiros elétricos e áudio e vídeo são controlados pelo software desenvolvido pela Homesystems.

NESSE DUPLEX, , do condomínio Saint Tropez, localizado no Rio de Janeiro, o arquiteto Duda Porto buscou facilitar as atividades cotidianas da família automatizando controle do ar-condicionado, cenas de iluminação, abertura e fechamento das cortinas, sistema de som e home theater. A empresa responsável pela instalação é a Definitive.


Foto: Divulgação
CENAS DE ILUMINAÇÃO PROGRAMÁVEIS, controle de persianas e ar-condicionado. Todas essas soluções em automação integram a sala de jantar do showroom da Segatto, em São Paulo, com tecnologia sem fio da Z-Wave.

Foto: J. Vilhora À ESQUERDA, A AUTOMAÇÃO DA CASA assinada pela dupla Lizandra Maluf e Melissa Ferraz foi desenvolvida pela Antares, que cria possibilidades como controle de som ambiente, iluminação (Lustres Iriê), persianas e acionamento de telão e projetor (escondido sob o gesso). "Além de trazer elegância e sofisticação, essas soluções tornam tudo mais fácil e intuitivo. Tudo pode ser controlado via painel embutido na parede, iPad e iPhone", destacam as arquitetas.

Foto: Divulgação
O HOME CINEMA projetado por Luiz Fernando Redó e Carlos Hansen utiliza variações de cinza como cores predominantes e tem aparência bastante moderna, principalmente pela aparelhagem de áudio e vídeo (Definitive). Poltronas motorizadas que se movimentam de acordo com o som do filme completam o espaço, totalmente voltado à interatividade.


Quando o assunto é economia, o lar automatizado realiza com precisão a tarefa de poupar energia e água. O morador pode, por exemplo, desativar o seu sistema durante uma viagem, gerando consumo zero. Se for ligado ao tema sustentabilidade, o usuário tem a opção de instalar controladores de consumo que mostram o comportamento dos gastos na forma de gráficos e estatísticas. Existem, ainda, os produtos inteligentes, como torneiras com temporizador e sensores de presença para luzes. Mais do que economia monetária, são formas racionais de usar os recursos naturais e os renováveis também.

No quesito segurança, uma daquelas coisas que pensamos só ser possível em filmes hollywoodianos tornou-se realidade: a biometria sistema de segurança que aposenta as chaves - chegou, enfim, ao nosso dia a dia. Ela permite acesso apenas a pessoas com digitais cadastradas em seu sistema e, se algum estranho tentar entrar na residência com sua própria impressão, uma mensagem de alerta é enviada ao celular do proprietário. Controle e acesso às câmeras de segurança e abertura e fechamento de portões e portas internas também fazem parte do "pacote de segurança". Incrível? É apenas a casa do futuro invadindo o presente...


Aparelhos tecnológicos comandam funcionalidades da casa high tech

Fotos: Divulgação


1- A cortina Pirouette, da Luxaflex, é fabricada com gomos (12,7 cm) 100% poliéster que controlam a incidência de luz e fornecem privacidade ao ambiente. Cordões permitem abertura e fechamento da cortina, que pode ser motorizada para integrar projetos de automação. Preço sugerido: R$ 1.267 o m2 (sem instalação).

2- O sistema de automação MyWay, desenvolvido pela Domótica, pode ser instalado em ambientes prontos e não utiliza fios. Permite o controle de diversos recursos, como iluminação, persianas, áudio, vídeo e ar-condicionado. Além do controle inteligente, o MyWay pode ser acionado por tablets, smartphones e até pelo controle da tevê

3- Além de possuir palhetas que permitem blecaute no ambiente, as persianas de portas e janelas da Fise podem ser automatizadas. Preço sugerido da persiana: R$ 180 para uma janela de 140 x 140 cm; o motor com interruptor custa R$ 250; o modelo com controle remoto sai por R$ 350.

Ilustração: Red Flag Studios


4- Fabricada pela Elgin, a linha Happy possui gavetas dotadas de tecnologia que possibilita abri-las com acionamento elétrico por meio de um simples toque (push), e sistema de amortecimento das ferragens, que torna a abertura e o fechamento das portas mais suaves e silenciosos (blumotion). Cores em tons pastel predominam nos armários da linha.

5- Criado pela BTicino, o sistema My Home integra e controla os comandos elétricos da casa: iluminação, temperatura, música, segurança e comunicação de todos os ambientes. Oferece também o monitoramento do consumo de recursos, que permite ao usuário visualizar os gastos de eletricidade, gás, água e calor.

6- Sofisticada e segura, a fechadura biométrica da Glass Vetro armazena as digitais cadastradas para que somente elas permitam a abertura da porta. O produto é alimentado por pilhas comuns, para evitar o desligamento em caso de queda de energia elétrica. Preço sugerido: R$ 1.904.

7- O Touchdoor (iHouse) possui software que autoriza a abertura de portas após a identificação da impressão digital ou a digitação de uma das senhas numéricas pré-programadas. O proprietário também tem a possibilidade de controlar o acesso dos usuários em determinadas datas e horários. O aparelho pode ser integrado com componentes como luz e ar-condicionado para criar a ambientação desejada a partir da abertura da porta. Preço sob consulta.

8- Ideal para garantir luminosidade e privacidade, o Intelligglass é um vidro que pode ser opaco ou translúcido, graças às partículas de cristal líquido armazenadas entre as lâminas de vidro ultrafinas. No modo desligado, o vidro permanece opaco; quando ligado - via interruptor manual, controle remoto ou sensor de presença -, se torna completamente translúcido. Preço sugerido: R$ 3.500 o m2.

9- A descarga sensorizada Pólo (Draco) monitora o uso do vaso sanitário e efetua a descarga imediatamente após sua utilização. Deve ser instalada em locais com pressão mínima de 10 mca, utiliza bateria alcalina de 9 V e oferece vazão de 6 litros. Preço sugerido: R$ 1.980.

10- A fechadura eletrônica da Yale registra até 20 impressões digitais para a abertura da porta e emite sinalização auditiva e visual para facilitar a utilização por portadores de necessidades especiais. Sistema de abertura manual (para casos de emergência), alarme antiviolação e teclado inteligente são outros diferenciais do modelo, que tem preço sugerido de R$ 3.500.

fonte: http://revistacasaeconstrucao.uol.com.br/ESCC/Edicoes/73/artigo227780-1.asp


domingo, maio 04, 2014

Castelo de tijolos

Linha rústica adotada em casa de campo reduz manutenção e proporciona mais tempo livre para o desfrute da família






O terreno já adquirido em Campos do Jordão foi eleito o local ideal para satisfazer o sonho do casal proprietário: dispor de uma residência capaz de receber os familiares e mantê-los unidos. O estudo para a construção ficou sob responsabilidade da arquiteta Evelin Sayar, que adotou alguns princípios norteadores: respeitar e preservar o espaço de uma árvore cravada em meio ao terreno de 350 m² e propor uma estruturação simples, em torno dela, que não demandasse trabalho com manutenção.

Os dois direcionamentos, por sinal, determinam o que de mais ousado há no projeto. O imóvel é inteiramente revestido com tijolos de demolição nas paredes, e o material está presente também na maior parte do piso. A arquiteta optou por utilizar tijolos recozidos produzidos em uma olaria, garantindo, assim, maior durabilidade frente à circulação de pessoas. A atmosfera rústica, adequada e em perfeita harmonia com o local é, segundo Evelin, "perfeita para livrar os familiares dos cuidados com manutenção diária". Um verdadeiro castelo, onde quem reina é o prazer de estar junto todo o tempo.



"O sonho de construir uma casa de campo se concretizou neste projeto. O material rústico foi o ponto de partida, uma garantia de que o tempo seria empregado para o convívio, e não em preocupação com o trabalho de manutenção"



Outro ponto alto da obra é, sem dúvida, a claraboia projetada em plena área social, garantindo não só a preservação da árvore presente, como também a exploração de um suntuoso pédireito central de 12 metros de altura. A mesma concepção se estende às demais dependências: cada ambiente possui 4 metros de pé-direito, estrutura que, segundo a profissional, "agrega sensação de liberdade".


Um olhar panorâmico permite observar como a estrutura proposta para a área social favorece a incidência de iluminação natural e a integração entre ambientes. A cozinha surge em uma configuração simples, com poucos armários. A bancada central para refeições rápidas foi estruturada com sobras de outra construção. Ao redor da área da claraboia, feita para acolher a árvore já existente no terreno, a arquiteta Evelin Sayar promoveu uma área de estar com sofá-namoradeira alocado sobre um deque de madeira. A estrutura foi projetada sobre as pedras que forram a terra mantida para sobrevivência da espécie vegetal.



Na parte externa, Evelin projetou ambiente de estar como um prolongamento da cozinha, trazendo funcionalidade às áreas da churrasqueira e do forno e, ao mesmo tempo, contato com a natureza do entorno.









Luz abundante 
A luminosidade também mereceu toda a atenção no projeto. O imóvel dispõe de muito acabamento em vidro, o que, além de favorecer a incidência de iluminação natural e boa insolação - necessária em uma região úmida, por sua vasta vegetação -, promove a integração do interior com a belíssima natureza do entorno e suas espécies típicas. Por se situar em uma região de baixas temperaturas, a residência recebeu teto de policarbonato - estrutura que auxilia na retenção de calor no interior dos ambientes. Para os dias mais frios, há possibilidade de acionar um sistema de aquecimento interno, além da charmosa lareira.




Os ambientes estão dispostos em dois pavimentos, inferior e superior. O primeiro acomoda lavabo, área social - integrando sala, sala de jantar, área da claraboia (com a escultural escada e a árvore preservada centralizadas no espaço), cozinha e varanda com área para churrasqueira e forno - e um quarto, prevendo acessibilidade ao imóvel, como explica Evelin: "Nem todas as pessoas se encontram em condições de subir uma escada de quatro metros de altura, o que explica a projeção de, pelo menos, um quarto no andar inferior." No piso superior, quatro quartos, sendo duas suítes, e dois servidos por um banheiro externo distribuem-se em 360°, contornando a edificação. O projeto foi finalizado em três meses.


Após a escada, um corredor principal dá acesso aos quatro cômodos projetados no pavimento superior: duas suítes e dois quartos com banheiro externo. Nesse piso, destaca-se mais uma estratégia arquitetônica utilizada: acima de cada folha superior das portas tipo baia, a arquiteta especificou janelinhas de demolição que, segundo ela, "ajudam a alongar a estrutura e a compor harmoniosamente com o pé-direito alto do imóvel".




O corredor superior que dá acesso aos dormitórios também foi revestido por tijolos de demolição nas paredes e tijolos recozidos no piso. Para os cômodos, a arquiteta especificou portas modelo baia, com abertura em duas folhas, e aplicou nas peças pintura envelhecida; o modelo de porta não conta com fechadura, mas com travas internas que remetem a um estábulo. O guarda-corpo oferece um toque clássico à estrutura do imóvel.



Um banheiro comum atende aos dormitórios que não se configuram como suítes. O espaço conta com ladrilho hidráulico no piso, em composição estilo patchwork, e bancada e cuba em área externa, distribuição interessante para residências em que circulam crianças: "É uma maneira de deixá-las mais próximo de uma supervisão", explica a profissional.



O estilo despojado marca os 350 m² da construção, erguida em torno da árvore que ocupa a área central do terreno. Material de demolição e grandes aberturas para o exterior estão presentes em todos os ambientes.





Confira quem fez
Projeto de arquitetura: Evelin Sayar
Colaboração: Sandra Araujo
Artista Plástica: Maria Helena Sayar

Fonte: http://revistacasaeconstrucao.uol.com.br/ESCC/Edicoes/104/artigo310927-2.asp


quarta-feira, abril 30, 2014

Um lugar de puro despojamento



Acervo de design ganha abrigo perfeito em SP


Muito design original na sala: a luminária na parede é a Potence (1950), de Jean Prouvé; o sofá de madeira da Ercol leva estofado da Ikea e almofadas com tecidos de Adriana Barra costuradas pela Kika Chic; e a esfera no piso (à dir.) é La Palla, luminária de Antonino Sciortino – ao fundo, estante (anos 1950), no Thomaz Saavedra Escritório de Arte

Sejamos preconceituosos por um momento: advogados são bons colecionadores! O apuro estético desta, que mora em um apartamento nos Jardins, em São Paulo, depois de viver por sete anos em Milão, se voltou para o design. As evidências estão em toda parte: luminárias de Jean Prouvé, Antonino Sciortino, Achille Castiglioni e Isamu Noguchi; cadeiras de Charles e Ray Eames e da Kartell – originais dos anos 1960 –; bancos e mesas de Piet Hein Eek, Eero Saarinen, Geraldo de Barros e Hugo França; aquisições de Mauro Bolognesi, Rossana Orlandi, Graça Bueno e Teo Vilela Gomes – todos pertencentes ao seu círculo de amizades. É um lar cheio de histórias, nomes e sobrenomes. Mas o resultado é impressionantemente despojado.

O way of life europeu, aliás, foi um elemento marcante na hora de fazer a reforma, comandada pelo arquiteto paulistano Felipe Hess. “Ela fez questão de soluções pouco comuns em casas brasileiras. Quebrou paredes juntando não só a cozinha, mas também a área de serviço e o terraço à sala de estar. Não quis uma segunda suíte nem se importou com a união do lavabo com a cozinha”, explica o profissional. “Essas decisões, somadas ao belo mobiliário que ela trouxe da Itália, foram cruciais para conceber um espaço informal e relaxado que é, ao mesmo tempo, chique.”

A moradora procurava uma casa, mas a luz natural, vinda dos janelões e terraços, a convenceu a mudar de planos. “A varanda na altura das copas das palmeiras, que invadiam a sala, e o quintal aberto ao fundo da área do terraço foram decisivos na escolha. Além disso, a banheira é igual à minha em Milão. Logo me senti em casa”, lembra a proprietária, que se apaixonou pelo prédio dos anos 1960 e fez questão de manter as pastilhas da varanda, as ferragens do terraço, os parquets da sala e os azulejos curvos dos banheiros. “Tentei preservar os acabamentos originais ao máximo, só retocando-os. O piso foi ebanizado e os azulejos só precisavam ser pintados”, recorda a advogada.

Em meio a tanto design assinado, toques pessoais que a aproximam da família no dia a dia são bem-vindos: o rosa escolhido para o banheiro é igual ao da casa em Teresópolis da avó, de quem ela herdou o belíssimo tapete de vaca que fica na sala. No mesmo cômodo, uma pintura feita pela mãe ganha destaque.

O ladrilho hidráulico cinza-claro e azul-petróleo da cozinha, que transborda para o living, é motivo de orgulho tanto para o arquiteto quanto para a moradora. “Foi um projeto feito a quatro mãos. Mostrei para ela um padrão que [o arquiteto] Fernando Távora fez no Mercado Municipal de Santa Maria da Feira, em Portugal, ela aprovou e sugeriu a disposição invadindo a sala”, conta Hess.

A proprietária, que adora cozinhar, queria poder interagir com seus convidados no estar ou no terraço enquanto preparasse seus jantares (ao som de Nina Simone, sua preferida entre os ídolos do jazz). Para garantir uma transição harmônica entre os espaços, ela tirou uma solução de um projeto assinado por Paola Navone que viu em uma revista italiana (claro!). O tão querido terraço, por sua vez, ganhou placas negras revestindo as paredes originais, irregulares. “O preto foi usado para dar profundidade”, detalha a advogada, contente por poder curtir, no Brasil, o suprasssumo de sua charmosíssima Itália.


Ângulo do estar mostra o sofá Marenco (1970), design Mario Marenco para a Arflex, mesinha vintage da Kartell (em primeiro plano), cômodas de Piet Hein Eek e foto de Dora Longo Bahia, na Galeria Vermelho


Detalhe do ambiente revela gravura de Detanico Lain, na Galeria Vermelho, mesa de telefone de Geraldo de Barros, luminária de Isamu Noguchi e poltrona de corda, na Passado Composto Século XX


A transição entre sala e cozinha destaca a cadeira de balanço do casal Eames, o pufe Up 2000, design Gaetano Pesce para B&B Italia, e a mesa da De Padova – na parede ao fundo, gravura dos anos 1970, na Loja Teo


Bufê vintage dinamarquês no living


Bancada da cozinha, com adega e estante, desenhada por Felipe Hess



Cadeiras adquiridas na feira do Bixiga compõem a varanda


O quarto traz poltrona da Ercol, luminária Luminator – design Achille e Pier Giacomo Castiglioni para a Flos – e, acima da cama, obra de Lucas Simões, na Galeria Emma Thomas


O banheiro tem azulejos pintados com o mesmo rosa da casa da avó da moradora


O terraço, que leva mesa de Hugo França e cadeiras da Kartell

* Matéria publicada em Casa Vogue #344

terça-feira, abril 29, 2014

Lar tem técnicas de carpintaria japonesa


Casa sem paredes no meio do verde




Além de tornar a região onde está inserido altamente montanhosa, Todoroki é o único vale na parte central de Tóquio - as ladeiras são parte de uma topografia formada na era do gelo. Localizado no meio de uma área residencial, diferente da natureza artificial das metrópoles, Todoroki tem uma grande parte de terrenos conservados. Para continuar a preservar a riqueza da área, regulamentações como distância mínima dos desfiladeiros e manutenção do verde são necessárias.

Olhando com otimismo as restrições, a área residencial do projeto foi pensada como um “anel verde”, prolongando o ambiente natural o máximo possível. Contando com as peculiaridades do local, o escritório Teppei Fujiwara projetou uma casa que convida a paisagem a entrar, com um jardim circular em torno da moradia.

A construção é modesta, tendo aproximadamente 90 m² de planta. Técnicas tradicionais de carpintaria japonesa foram usadas para criar as separações estruturais da casa. A “cortina de vidro", porém, é o que mais chama atenção no projeto: a ideia inusitada permite não apenas que a luz entre, mas que o interior da morada seja banhado por uma visão do verde que o vale conserva.

Para criar espaços de circulação entre as áreas sociais, um jardim também foi feito dentro da residência. As áreas como banheiros, cozinha e escada estão no centro da casa, já os níveis superiores tem uma grande suíte principal que integra também uma pequena lavanderia. Para aumentar os espaços, as partes inferiores da escada principal podem guardar sapatos, livros e outros utensílios.

A casa se mescla com o ambiente natural em que está. O custo total foi baixo pelo simplificado método de construção, e todo o planejamento foi aberto e flexível para acomodar renovações do lugar.






























Fonte: Casa Vogue

segunda-feira, abril 28, 2014

Glamour vintage em Buenos Aires



Morada de mármore é um retorno aos anos 1960

Canto do living ali refletido sobre a lareira, com escultura (2009) de Celina Saubidet, proprietária da casa

A simplicidade elegante da fachada de mármore carrara lembra o tipo de casa modernista que se costuma ver na Califórnia ou no Brasil. Mas é no fim de um beco sem saída sereno e arborizado, nos limites de Buenos Aires, que a propriedade de três pisos se encontra. Celina Saubidet, escultora e designer de joias, e Urko Suaya, fotógrafo de renome, estavam juntos havia seis anos quando resolveram sair das casas-estúdios onde moravam no bairro de Palermo. Esperavam a primeira filha e queriam “lhe dar as boas-vindas em um ambiente tranquilo”.


Depois de uma busca minuciosa, tiveram a sorte de deparar com um verdadeiro achado: uma casa de família da década de 1960, com caráter peculiar. As inovações formais da arquitetura da época estão aqui: simplicidade conceitual, pureza de volumes, ênfase em linhas horizontais e o exterior trazido para dentro por meio das amplas aberturas envidraçadas. No entanto, o que torna o lugar notável é que todos esses elementos são citados com alguma licença poética. Uma noção descontraída parece ter guiado quem construiu a morada. A começar pelos pisos, todos feitos com variedades de mármore diferentes, desde a garagem, passando pela escada e pelos quartos, até os terraços externos – uma versão animada e esperta, bem fora do comum, do modernismo. Sem falar nas paredes, com os painéis de bronze dourado da sala de jantar glamourosa ou o extenso e trabalhado mural de jacarandá do estar.

Celina e Urko ficaram animadíssimos com a descoberta. Parecia ser grande o bastante para acomodar a nova configuração familiar, além do espaço de trabalho de cada um e também o gosto que os dois têm por receber. “Festas memoráveis acontecem aqui”, contam os anfitriões, que são amigos de arquitetos, artistas e surfistas.

* Matéria publicada em Casa Vogue #344 
Detalhe de uma das portas de correr em frente à sala de estar, feitas a partir de placas de acrílico fúcsia entalhado com lentes côncavas e convexas, do artista Rogelio Polesello (anos 1960)


Plano geral do estar revela o sofá curvo formado a partir de uma elevação no piso, coberto de carpete



A sala de jantar é adornada por painéis de bronze dourado em duas paredes e conta com mesa de Eero Saarinen para a Knoll e antigas cadeiras Superleggera, de Gio Ponti


Em outra área do estar, a vedete é o painel de jacarandá (1968) encomendado pelo proprietário original a um escritório de decoração da época – cenário perfeito para o mobiliário vintage garimpado em feiras e antiquários da cidade, disposto sobre tapete da Dandolo y Primi



O escritório de Urko Suaya tem uma escrivaninha (anos 1950) comprada no Mercado de Pulgas de Buenos Aires



O hall de entrada, com as portas de Rogelio Polesello


O piso de mármore se destaca no andar de baixo, onde ficam a sala de brinquedos, a área de serviço e a garagem