domingo, novembro 20, 2011

Os prédios verdes


Entenda o que é um edifício ecologicamente correto 


Edifício Cidade Nova, no Centro do Rio: primeiro prédio do Brasil a ganhar certificação verde

Seguindo padrões de construção sustentável, os edifícios verdes estão conquistando os cariocas. O ator Bruno Gagliasso é um dos que investiu na causa. O novo lar do galã, que está sendo construído em São Conrado com piscina aquecida naturalmente e teto que favorece a iluminação natural, tem o projeto sustentável assinado pelo arquiteto Marcio Kogan. Até agora, no entanto, o grande filão do mercado verde tem sido os empreendimentos comerciais. O primeiro do Brasil a ganhar certificação verde é carioca, o Edifício Cidade Nova (Rua Ulisses Guimarães, 565). Nos próximos dois anos, quase metade dos lançamentos corporativos na cidade (40,8%) será de prédios ecológicos, de acordo com estudo da consultoria imobiliária Cushman & Wakefield. Mais do que uma jogada de marketing das construtoras para valorizar os imóveis, que acabam saindo entre 2% e 7% mais caros na compra ou aluguel, os prédios verdes ajudam, de fato, a preservar o meio ambiente. E os atrativos vão além. 

Apesar de mais caros, os edifícios sustentáveis garantem, a longo prazo, economia de até 30% na conta de luz e 50% na de água. Isso porque, para ser considerado verde, um empreendimento precisa adotar conceitos de sustentabilidade como reaproveitamento de energia e água. "Além de reduzir os custos de operação e manutenção, ter uma sede verde implica em outros benefícios como valorização da imagem corporativa e melhora da produtividade no ambiente de trabalho", afirma Diana Csillag, diretora do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).


         
Prédios verdes: proteção do meio ambiente e economia a longo prazo



Portanto, não se trata apenas de instituir coleta seletiva ou oferecer um amplo jardim arborizado. São necessárias estratégias e soluções de engenharia e arquitetura bem planejadas e definidas que reduzam os impactos ambientais gerados pelo edifício durante sua construção e durante todo o período em que estiver ocupado. A questão é complexa. Não à toa, existem selos que certificam as obras verdes, garantindo sua legitimidade. O AQUA (Alta Qualidade Ambiental), que tem como base o sistema francês HQE, é um deles, concedido pela Fundação Vanzolini. 

O mais conhecido, porém, é o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), doGreen Building Council (GBC), órgão responsável pela concessão do certificado. Criado em 1999 nos Estados Unidos, obtê-lo também custa caro. Cada metro quadrado vale em média um real. Logo, o selo verde de um prédio comercial de 20 andares com 10 salas de 4 600 metros quadrados cada, por andar, custa quase um milhão de reais. Hoje, o Brasil é o quarto país no ranking mundial de empreendimentos buscando a certificação LEED, com 384 registrados, atrás apenas de Estados Unidos, Emirados Árabes e China. No Rio, seis edifícios já têm o selo e 51 estão em fase de análise. Os grandes eventos esportivos - Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 - vão impulsionar ainda mais o avanço dos edifícios verdes no Rio. O GBC Brasil já firmou inclusive um protocolo com o Comitê Olímpico Brasileiro para que as obras que servirão aos jogos sejam todas certificadas.



Durante o processo de certificação LEED são avaliados inúmeros fatores com base em sete critérios principais. Adapte-os para o seu lar, tornando-o eco friendly também. 

1 - Escolha do terreno. De acordo com o engenheiro Marcos Casado, gerente-técnico do GBS Brasil, para ser verde um edifício precisa ocupar um espaço sustentável, ou seja, a escolha do terreno deve levar em conta o menor impacto durante a construção, bem como a proximidade à rede de transportes públicos e serviços. Dessa forma, evita-se o uso do carro, altamente poluente, e estimula-se a locomoção a pé e através de ônibus ou metrô, por exemplo. Este critério também diz respeito a recursos que amenizem o efeito da ilha de calor. "A temperatura na cidade, em meio ao concreto e ao asfalto, é em média 8 ºC superior em relação à de áreas arborizadas", explica Casado. Por isso, é importante apostar em telhados verdes, com jardim, uma vez que a vegetação, além de promover a biodiversidade, ajuda a amenizar a temperatura do prédio. Outra opção é o telhado com cobertura clara, que reflete a luz ajudando a bloquear o calor e, consequentemente, reduzindo o uso do ar condicionado.




Colégio Estadual Erich Walter Heine, em Santa Cruz, e seu telhado verde: primeira escola totalmente sustentável da América Latina





2 - Uso racional da água. Para reduzir ao máximo o consumo, devem ser usados aparelhos economizadores como torneira eletrônica, mictório a seco, válvulas de descarga dual flush ou até mesmo vaso sanitário a vácuo. "O sistema dual flush permite usar metade da vazão de água de uma descarga convencional", explica o engenheiro civil Raphael Costa, da SIG Engenharia. Nas áreas verdes do prédio, as plantas devem ser adaptadas às altas temperaturas. Dessa forma, necessitam de pouca rega. E o sistema de irrigação, por sua vez, deve ser automático. Outro recurso importante é o reaproveitamento da água não potável. A da chuva ou a do esgoto tratado, por exemplo, deve ser captada para ser usada vasos sanitários ou na lavagem de pisos, por exemplo. 

3 - Eficiência energética. O aproveitamento da luz e da ventilação naturais para iluminar e deixar os ambientes mais frescos ajuda a reduzir o consumo de energia. Equipamentos de ar condicionado e outros eletro-eletrônicos devem ter o selo Procel, que garante os melhores níveis de eficiência energética. O Rio Office Tower (Avenida Presidente Vargas, 1001), que aguarda o selo LEED Gold, tem ainda sistema de ar condicionado com sensor de CO2. "Os aparelhos só promovem a troca de ar quando o nível de gás carbônico está alto de acordo com o padrão da ANVISA, o que ajuda a poupar energia", explica o engenheiro cível Raphael Costa, da SIG Engenharia, responsável pela obra em questão. Já as lâmpadas dos prédios verdes são frias, pois são as que apresentam melhor compensação energética. As LED, por exemplo, consomem 26 watts cada contra os 32 watts da tradicional. Edifícios ecologicamente corretos investem também em fontes de energia renováveis, como eólica e fotovoltaica. Há ainda a opção de comprá-la do Aterro de Gramacho, que produz energia a partir do lixo, ou de pequenas hidrelétricas, que causam menor impacto ambiental.




Rio Office Tower: ambientes de cores caras, que refletem a luz e dispersam o calor, e lâmpadas T5, frias, que consomem menos energia


4 - Qualidade ambiental interna. Um prédio verde deve oferecer conforto e bem-estar aos ocupantes, o que, no caso dos empreendimentos comerciais, implica em aumento da produtividade dos funcionários. Janelas com paisagem e produtos como tinta, cola e verniz sem cheiro, por exemplo, contribuem para a saúde das pessoas, tanto física quanto mental. Não à toa, um edifício verde prioriza aspectos como a vista, boa iluminação natural e produtos sem teor de compostos orgânicos voláteis, que deixam cheiro forte. O controle de qualidade do ar através de filtros de ar condicionado, por exemplo, também é um ponto importante. 

5 - Materiais e recursos. O selo LEED também avalia a matéria-prima utilizada na construção. A madeira certificada, a de reflorestamento ou a de ciclo vegetativo rápido, como bambu e eucalipto, são bons exemplos de material sustentável, bem como as tintas ecológicas à base d’água, como as epóxi, com baixo teor de química e sem cheiro. O Edifício Cidade Nova, um empreendimento da Bracor e da Ruy Rezende Arquitetura, tem também vidros insulados na fachada, um sistema de duplo envidraçamento que permite aproveitar ao máximo a luz natural com bloqueio do calor. Já o carpete do Rio Office Tower foi confeccionado com 80% de material reciclado, e sua cola especial não agride o meio ambiente. 

Além disso, costumam ser adotados nas obras verdes critérios de seleção de materiais pela distância de fabricação, evitando-se fornecedores de longe, que queimariam combustível por mais tempo nas estradas. A gestão de resíduos da obra também é essencial, ou seja, é preciso cuidar para que o lixo produzido durante a construção do prédio verde não sobrecarregue os aterros sanitários. Uma opção é o encaminhamento de resíduos recicláveis a empresas de reciclagem - 97% do entulho do Rio Office Tower teve esse destino.




Ventura Corporate Towers (prédio com duas torres, ao centro): edifícios verdes também priorizam aspectos como a vista



6 - Inovações e tecnologias. As construtoras e os escritórios de engenharia devem também ser criativos se quiserem conquistar o selo verde com pontos adicionais (não à toa existe o LEED Prata, o Gold e o Premium). No escritório do próprio GBC Brasil, em São Paulo, há, por exemplo, um moderno sistema de descontaminação do ar. Revitalizar parques no entorno do prédio, ao invés de concentrar esforços apenas na própria obra, também é uma atitude sustentável extra bem avaliada no LEED. 

7 - Créditos regionais. Diz respeito a adaptações que estimulem mudanças culturais de comportamento. É o caso, por exemplo, do prédio comercial Ventura Corporate Towers, construído pela incorporadora norte-americana Tishman Speyer e pela Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário. Detentor do selo LEED Gold, o prédio disponibiliza vagas preferenciais para carros a álcool ou gás natural, desestimulando o uso da gasolina. Elas ficam estrategicamente mais próximas aos acessos principais do edifício, ocupado por escritórios do BNDES e da Petrobras. A estratégia é a mesma no Edifício Cidade Nova, que também dispõe de vagas reservadas aos veículos de baixa emissão de poluentes.

sábado, novembro 19, 2011

1 milhão



Hoje 19/11/12 o blog chegou a 1 milhão de acesssos, dados oficiais do google, obg pelo carinho amigos e estarei sempre atualizando com o melhor conteúdo sobre arquitetura. http://lorenaarquiteta.blogspot.com/

Moradia a toque de caixa


Tempos modernos pedem soluções inovadoras. Com essa ideia em mente, o arquiteto Frederico Zanetato lançou mão de uma proposta eficiente e barata para desenhar a própria casa. Recém-divorciado, queria o novo endereço amparado no tripe economia, sustentabilidade e rapidez. E encontrou a saída em contêineres descartados, cada vez mais usados em projetos residenciais no mundo todo. Para estruturar a construção, comprou quatro deles nas docas de Santos, por R$ 5 mil cada um, e mandou entregar no canteiro de obras em Mogi das Cruzes, na Grande São Pauto (o frete custou R$ 1.800).

 O sistema construtivo escolhido e a topografia plana do lote validaram a fundação radier - tipo de laje rasa de concreto armado, que distribui o peso da construção de modo uniforme no terreno. Graças opção, reduziram-se o custo e o tempo de execução em 20%. Para garantir o conforto térmico, o arquiteto implantou a residência num Local mais sombreado e previu ventilação cruzada. “Testei várias soluções até definir a composição” explica Frederico. "Mas, como é tudo parafusado, posso mudar a planta sem quebra-quebra ou transportar a casa para outro lugar."


Já que gosta de cozinhar e receber amigos, o arquiteto previu uma bancada gourmet na sala (térreo). A cozinha completa foi isolada na ala de serviço, no container dos fundos. Na frente da casa, outra unidade abriga quarto de hóspedes e lavabo. No piso superior, a área intima ocupa outros dois contêineres.

QUANTO VAI CUSTAR

Projeto arquitetônico: R$ 8 mil
Acompanhamento da obra: R$ 13.500
Projetos estrutural e de fundações: R$ 1.200
Projetos hidráulico e elétrico: R$ 1.850
Mão de obra: R$ 20.620 (inclui técnico em steel frame, eletricista, encanador, vidraceiro e serralheiro)
Material: R$ 41.204
Tempo: 60 dias


Em meio a vegetação nativa, a construção montada com quatro contêineres (6 x 2,50 m) ganhou fechamento envidraçado: nas laterais, quatro portas de correr tiram partido da claridade e da ventilação naturais. Quando abertas, deixam todos os cômodos térreos acessíveis ao quintal.


Como serão as casas em 2015?



Conduzido nos Estados Unidos, estudo levantou o que profissionais da construção civil esperam da próxima geração de casas americanas.

Uma pesquisa conduzida ao longo do ano passado nos Estados Unidos pela Associação Nacional de Construtores (National Association of Home Builders) revelou o que pensam os profissionais do setor da construção civil, entre arquitetos e designers, sobre como serão as casas nos EUA em 2015 e aponta que a crise no setor impactou não apenas a venda de imóveis hoje, mas a estrutura daqueles que ainda estão por serem construídos no futuro próximo.

Bom, a primeira tendência identificada pelo estudo não é exatamente uma surpresa: as casas vão diminuir de tamanho. Para fins de exatidão, a pesquisa aponta que os imóveis serão 10% menores que as casas construídas no primeiro semestre de 2010, com metragem de, no máximo, 200 metros quadrados. O motivo? Tudo indica que os consumidores estão decididos a baixarem os custos de manutenção de um imóvel. Outra razão, de acordo com a pesquisa, é que, até 2020, 29% dos americanos estarão na faixa etária acima dos 55 anos, aumentando a demanda por casas menores.

Metragem mais enxuta exige o melhor aproveitamento possível dos cômodos. Prova disso é que suítes suntuosas, garagens majestrais e salas de visitas palacescas definitivamente não “cabem” mais na casa de 2015. Espaços generosos e bem divididos dão lugar a um grande cômodo, integrado e que reúna cozinha, sala de estar e sala de televisão. A suíte principal, ao invés de isolada, será construída no térreo, mas com espaço suficiente para um bom closet. Quando ao número de carros a serem armazenados na garagem, a aposta é que não sejam mais que dois para uso da família.

Se sustentabilidade já é importante para a construção civil dos dias de hoje, o melhor é exercitar a mentalidade eco-friendly, pois, de acordo com a pesquisa as casas vão ficar ainda mais verdes. Um dos itens que não vão faltar na casa dos próximos anos é a janela com vidro do tipo low-e (de baixa emissividade e que oferece mais conforto térmico interno). Além disso, todas as casas vão contar com o selo Energy Star, padrão que comprova, e aprova, a eficiência energética de utensílios e produtos e que podem contribuir para uma redução na emissão de gases que causam o efeito estufa.

sexta-feira, novembro 18, 2011

O impacto da Apple Retail Store na paisagem de Nova York


Reinaugurado, o famoso cubo da Apple Retail Store se supera enquanto ponto de atração em Nova York

Apple Retail Store
Custo inicial da obra foi anunciado em US$ 6,7 milhões, sem somar o valor dos vidros. Estima-se que o total dos investimentos ultrapasse US$ 15 milhões

O famoso cubo de vidro da Apple Retail Store, loja da Apple na Quinta Avenida - um dos monumentos mais visitados e fotografados de Nova York, EUA, foi reinaugurado no dia 04 (novembro, 2011). Patenteado em agosto de 2010, o cubo teve sua reforma iniciada em junho (2011), tendo por finalidade atualizar toda a estrutura. Igualmente em vidro, a escada no interior do cubo que dá acesso à primeira loja da empresa em Nova York também foi reformada.

O novo cubo tem um projeto simplificado e arrojado. Os 90 painéis originais de vidro, fabricados pela Seele GmbH, foram substituídos por apenas quinze, e cada qual tem quase 10 metros. A arquitetura atual é chamada de “seamless”, ou seja, sem emendas, indo ao encontro do conceito de modernidade e tecnologia da Apple. A área ao redor do cubo também foi reformada. Há um novo sistema de dreno, e foram retirados os pequenos pilares antes existentes no contexto.

O escritório de arquitetura Bohlin Cywinski Jackson, que trabalhou com a Apple no cubo original, é também responsável pela nova versão, enquanto a engenharia é da O’Callahan Eckersley. O custo inicial da obra foi anunciado em US$ 6,7 milhões, sem somar o valor dos vidros. Estima-se que o total dos investimentos ultrapasse US$ 15 milhões.

O cubo original teve participação significativa de Steve Jobs — e com o novo não foi diferente. Este pode ser considerado um de seus feitos tardios, ou póstumos. Jobs, que faleceu em 05 de outubro (2011), foi cofundador, presidente e diretor da Apple, empresa que revolucionou o mundo dos computadores pessoais, da música, do cinema, do telefone, dos tablets e das publicações digitais.

fonte: http://exame.abril.com.br

Mundo da Sustentabilidade


O convite que recebi do Portal  Mundo da Sustentabilidade.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Loft com tijolo aparente na Alemanha




Os primeiros lofts de que se tem notícia surgiram em Nova York nas décadas de 1950 e 1960, quando artistas que tinham pouco dinheiro para morar em casas e apartamentos convencionais decidiram comprar fábricas desativadas e adaptá-las como suas casas e ateliês. Desde então, esse conceito de moradia se espalhou pelo mundo e virou sinônimo de ambientes espaçosos e integrados. O jeitão industrial, porém, continua indissociável a eles. E este loft em Dusseldorf, na Alemanha, é um exemplo disso.

Projetado pelo designer belga Bruno Erpicum, o espaço reúne um minucioso trabalho de recuperação arquitetônica com um décor que combina conforto e jovialidade. Seus novos moradores são fãs de design de interiores e de arquitetura, e por isso fizeram questão que o armazém de 600 m², situado em um bairro central da cidade alemã, tivesse suas características originais preservadas.


O tijolo aparente reina absoluto em todos os ambientes e dita o estilo fabril dos outros acabamentos – o diálogo do material com as peças minimalistas e contemporâneas é mais que evidente. No hall de entrada, os tijolos estão protegidos por paineis de vidro, em uma composição que desperta o olhar para o contraste entre o antigo e o novo. O principal ambiente da casa é o imenso living onde as vigas de concreto foram recuperadas, aumentando o aspecto industrial da residência.

O destaque da decoração fica por conta da mesa de jantar, feita de madeira maciça, e da iluminação, que abusa dos LEDs coloridos. O branco define o acabamento na cozinha, contrastando com as luminárias e com o metal do balcão. A mesma cor se faz presente no quarto, conectado a um banheiro onde o concreto aparente também marca presença.

Com três vagas, a garagem abriga os automóveis de luxo que fazem parte da valiosa coleção mantida pela proprietário. Ela ocupa o mesmo setor onde estão a sala de ginástica e o escritório. Fachadas de vidro garantem a entrada de luz natural e valorizam o tijolo aparente original das paredes.

(Clique em qualquer uma das fotos para vê-las ampliadas em galeria)



Fonte: Casa Vogue

terça-feira, novembro 15, 2011

Topblog 2011



Amigos obrigada pelas indicações e votos no prêmio topblog 2011, pela primeira vez estou entre os 100 finalistas na categoria Casa e Decoração, conto com o voto de vocês para seguir para a próxima etapa, é só clicar no link abaixo e confirmar o voto, obg pelo carinho, bjos Lorena.

Bar Volt, São Paulo




Com uso interno, luminosos ganham status estético
Com tijolos e tesouras originais aparentes, destaca-se neste bar a iluminação de neon, material retirado de luminosos da região pós-Lei Cidade Limpa. Espelhos e mobiliário de desenho consagrado completam o ambiente.

Boa parte dos luminosos que recobriam fachadas comerciais da região foram parar no bar Volt, na quadra inicial da rua Haddock Lobo, na região central de São Paulo. Sem função nem lugar, por causa da cruzada de despoluição urbana movida pela Lei Cidade Limpa, as estruturas de neon foram reaproveitadas para compor a estética de memória kitsch que era uma das condicionantes do projeto de interiores criado por Eduardo Chalabi - ao lado da pequena verba disponível e do tempo exíguo, com os quais o arquiteto está acostumado a lidar.

O ambiente aconchegante, em que a simplicidade e a espacialidade ampla se contrapõem aos ícones e letras de luz, busca atrair, entre outros, profissionais de áreas de criação, como arquitetos, artistas plásticos e designers que trabalham nas redondezas da avenida Paulista, tanto do lado dos Jardins como do centro.

A demolição das construções internas do imóvel revelou a forma linear e arejada de um galpão. O tratamento da estrutura do telhado, tornada aparente, trouxe o pé-direito elevado, bem-vindo ao programa, enquanto a recuperação dos tijolos à vista, nas divisas laterais, colaborou com certarusticidade. “Mas não queríamos um bar com cara de Vila Madalena”, diz o arquiteto. O comentário é sintomático: ao afastar o Volt do padrão exibido no boêmio bairro paulistano, Chalabi procura reforçar o vínculo com a região da Paulista, sobretudo com a proposição de uma linguagem que é um misto de tecnológica, alternativa e elegante.

O mobiliário do bar é quase todo composto por assentos consagrados, confortáveis poltronas criadas pelos designers norte-americanos Charles e Ray Eames, especificadas em tonalidades escuras e dimensões que são um convite à longa permanência. O layout racional acompanha a grande profundidade do lote e é amparado por pequenas variações de dimensões e tipos das mesas enfileiradas na longitudinal, de modo a prevalecer a unidade visual.
A meia altura, a fachada é semitransparente
Os elementos de neon suspensos sugerem um teto rebaixado
Interna e externamente, o bar é um volume envidraçado


O fundo do lote é incorporado ao bar por meio de uma cobertura retrátil. Ali, uma parede verde - recoberta com grande variedade de plantas e dotada de um sistema automatizado de irrigação - faz referência ao conforto do ambiente externo, aberto e tão raro em empreendimentos desse tipo.

Outro destaque do projeto é a habilidosa utilização do espelho, em princípio um material conflitante com as instalações de neon. Ele reveste a totalidade do volume funcional da cozinha e do bar, implantado na lateral direita do galpão, minimizando aparentemente a sua interferência nos interiores. Por sua vez, os luminosos menosprezados pela legislação urbana ganharam status nos interiores: sua restauração e exposição foram feitas sob a curadoria do artista plástico Kleber Matheus.

O projeto partiu da demolição das construções internas e da recuperação do telhado, para enfatizar a linguagem de galpão
A linguagem sóbria do mobiliário é um contraponto ao caráter pop das instalações luminosas
O pátio dos fundos foi incorporado aos interiores. No muro, grande variedade de plantas e sistema automatizado de irrigação
Recoberto por espelhos, o volume do bar não segmenta o espaço interno

fonte: Arcoweb Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 353 Julho de 2009

domingo, novembro 13, 2011

Piscina no telhado



Piscina no telhado não é algo tão incomum nos dias de hoje, mas no teto sim, tão incomum que tornou esse projeto da Patkau Architects incrível.









HOTEL DE MARILYN MONROE REVIVE EM LA


Los Angeles é uma cidade cheia de surpresas, principalmente quando os assuntos são arquitetura modernista, Hollywood e glamour. O novo talk of the town é o recém-restaurado Avalon Hotel, em Beverly Hills. Um lugar no mínimo mítico, pois foi lá que a atriz Marilyn Monroe (1926-1962) morou na sua ascensão ao estrelato, no início da década de 1950.


É possível sentir essa atmosfera mágica com uma pequena olhada na piscina do hotel, projetado no final dos anos 1940 pelo arquiteto Sam Reisbord, na época chamado Beverly Carlton Hotel. Um dos apartamentos foi a “casa” de miss Monroe por mais de três anos. Outras atrizes também viveram ali, como Mae West e Lucille Ball. Um dos prédios mais especiais em Beverly Hills, o hotel ficou esquecido nos anos 1970 e 1980, iniciou um lento processo de restauração na década de 1990 e hoje é o lugar preferido das novas estrelas.

O antigo Beverly Carlton nasceu quando Los Angeles ainda servia de playground para os arquitetos modernistas, que, com suas ideias arrojadas, vislumbravam uma Hollywood cheia de swing e possibilidades para materiais como a madeira e o vidro, além de muitas atividades outdoor. Com proporções fantásticas, um lobby digno de filme de Peter Sellers e quartos que ainda têm o cheiro do grupo Rat Pack, de Frank Sinatra, o edifício, além de moderno para os nossos dias, carrega a história do cinema em seu DNA.

A piscina em forma de ameba, tal como eram as piscinas nos anos 1950, foi mantida, além de gazebos charmosos onde se pode jantar com privacidade e ao mesmo tempo fazer parte do cenário ao redor. Recém-renovado, o restaurante Oliverio, com seu bar cozy e despojado, é também destino favorito na cidade, tanto para almoços quanto jantares. O Avalon não deixa nada a dever a importantes hotéis locais, como o Chateau Marmont e o Roosevelt, outros landmarks de LA.

Este ícone foi restaurado pela norte-americana Kelly Wearstler, designer visionária que resgatou seu old glamour. Uma propriedade com 83 quartos divididos em Junior Suites, One Bedroom Suites e uma penthouse, o lugar continuou fiel às suas origens, mas ganhou novo layout e novas cores: uma paleta de verde, verde-água, azul-marinho e branco, misturados à madeira envelhecida e ao mármore. ”Meu objetivo foi ser fiel à estrutura modernista e nostálgica do Avalon e revelar o jeito californiano e despojado de ser”, afirma Kelly, que notadamente utiliza influências da moda, arte, história e tecnologia em seus projetos.


Renovado, o hotel atrai pelo estilo marcante e pelas obras especialmente encomendadas ao artista norte-americano Tofer Chin. Espalhadas pelo pátio, há ainda luminárias de George Nelson, mesas de Isamu Noguchi e cadeiras de Charles Eames. Para os apaixonados por arquitetura moderna e cinema, é uma experiência imperdível. (DANNIEL RANGEL)

* Matéria publicada em Casa Vogue #315


sábado, novembro 12, 2011

Retrofoot

Do restauro feito no chute Michel Gorski


O primeiro edifício modernista de São Paulo (1), projeto do arquiteto Júlio de Abreu, de 1927, depois de anos de muito sofrimento, acaba de passar por um retrofoot, uma recuperação no chute.

Retrofoot é um termo derivado de retrofit, que por sua vez é mais uma daquelas palavras mágicas, como foi a reengenharia, e como é a sustentabilidade, que já chegam acompanhadas de muitos expertos, selos de autenticação e um novo estoque de termos a serem traduzidos.


A edificação, cheia de referências históricas, foi abençoada pela vizinhança do minhocão, que deteriorou toda a região, mas mesmo assim merecia um resgate arquitetônico, que respeitasse a originalidade de sua divisão interna e a fachada, que deveria ter sido tombada há muito tempo.

Mas o risco que o predinho correu foi ainda maior, pois nos ensaios artísticos ele chegou a ficar azul.

Cabe destacar, na versão final, a instalação externa da canalização de gás, com inspiração nitidamente art déco.





Nas páginas do livro, como número 1 [XAVIER, Alberto; CORONA, Eduardo; LEMOS, Carlos. Arquitetura moderna paulistana. São Paulo]


Ou o possível é a versão art déco?


Em época pré-cidade limpa, o edifício chegou a ficar neste estado



Depois do cidade limpa, parece que a coisa vai pelo bom caminho...



A versão histórica publicada, uma referência possível?



Chegou ao fundo do poço, mas com potencial enorme de recuperação



Tentativa frustrada, quase sem comentários...



Enquanto isso, ele existe como possibilidade na paisagem urbana...




Ou o possível é a versão art déco?
Foto Michel Gorski